Zeus - Jorge Alves Siqueira

Localização Rua Heráclito Diniz, n 15 - Areia Branca/SE - CEP 00000-000
Contatos AbrirFechar
Telefone (79) 9939-5560
Contato Jorge Alves (os contatos devem ser feitos preferencialmente via whatsapp)

Quem cria?

“A arte quer o artista pra ela”. Zeus

Jorge Alves Siqueira é Zeus, nome que ele mesmo escolheu para si. Nasceu em Itabaiana, Sergipe, em 1959, e cresceu em um distrito do município, chamado Ribeira, um pequeno paraíso com natureza exuberante, riachos cristalinos e pequenas quedas d’agua. No riacho encontravam argila que ele e os irmãos recolhiam e usavam para modelar os seus próprios brinquedos. Faziam casinhas, animais, e com a madeira caída que pegavam na mata faziam carrinhos.

Seu pai era agricultor e tinha uma casa de farinha em casa, onde aconteciam as farinhadas, quando as pessoas da região se reuniam para a fabricação da farinha de mandioca. Para Zeus e os outros 7 irmãos era uma diversão, em que cada um fazia uma coisa: ralava a mandioca, pilava, e ali em meio ao feitio escutavam as histórias de mula sem cabeça e aprendiam a paquerar.

Quando tinha 16 anos, em um dia de farinhada, chegou na região o artista plástico Caã Gomes que estava buscando uma paisagem para pintar e escolheu desenhar a casa de farinha do pai de Zeus. Todos ficaram impressionado, pois nunca tinham visto uma pessoa desenhar antes. 

Um dia, seu irmão mais velho, Jorge Valdo Siqueira, sofreu um acidente que o deixou com um problema na perna que o impossibilitou de fazer várias coisas. Caã que havia alugado uma casa próxima à casa da família de Zeus, incentivou seu irmão a fazer uma escultura de barro e depois de madeira. Ele gostou tanto que passou a entalhar ex-votos Zeus começou a auxilia-lo. Começou a fazer ex-votos (objetos entalhados usados por pessoas religiosas que fizeram promessa a um santo) e santos católicos, como Santo Antônio, São Francisco, entre outros.

Logo Zeus passou a auxiliar o irmão, lixando as suas peças. Um dia o irmão lhe deu a faquinha e lhe disse para cortar uma bola com um pedestal. Depois riscou a bola e pediu para gastar as laterais, dando a forma das bochechas em um rosto. 

“Aí quando fiz o olho, foi como se o olho ficasse olhando para mim, saltado. Acho que a arte entrou assim dentro de mim, como um olho me olhando. Então terminei de fazer a cabeça, que era de um ex-voto”. 

Depois dessa experiência sentiu a certeza de que esse seria o caminho no qual construiria a sua vida. Quando começou a esculpir suas próprias peças, passou a assinar Zeus. Com o falecimento do pai decidiram vender o terreno que tinham e compraram uma casa no município de São Cristóvão para facilitar a venda das peças. Zeus decidiu se desenvolver na arte sacra e seu irmão decidiu ir para São Paulo em busca de maiores oportunidades enquanto artista e acabou sendo engolido pela vida na metrópole, deixando a arte. 

Zeus teve sua primeira exposição individual em 1984 na Galeria J. Inácio em Aracaju. Desde então, participou de exposições no Estado de Sergipe e em outros lugares do Brasil. Hoje, a obra de Zeus transcendeu as fronteiras de Sergipe e do Brasil, sendo reconhecido como um dos maiores nomes das artes visuais na atualidade.

As mãos que criam, criam o que?

Quando trabalhava na roça, levava seu material de esculpir e na hora do descanso esculpia. Muito familiarizados com as atividades na roça, ele e os irmãos já cresceram sabendo manejar ferramentas, como facão, foice, machado. Não apenas as manejavam, como as fabricavam eles mesmos.

Em São Cristóvão, para onde se mudou quando o pai faleceu, haviam 4 escultores em atividade, o que levou Zeus a criar uma marca para que suas peças fossem facilmente identificadas como suas. Começou a fazer a cabeça dos santos inclinada, assinatura estética que mantém até hoje. 

Com o tempo, passou a se sentir limitado na arte sacra e começou a pesquisar outras referências estéticas e outras técnicas, como esculpir pedra calcária e arenito. Gosta de esculpir corpos nus e tem muita satisfação em entalhar as imagens de Nossa Senhora, principalmente pelo movimento do manto. Hoje também tem buscado esculpir em pedra sabão, pela facilidade de comprar a matéria-prima. Fez também esculturas de Patativa do Assaré, Luiz Gonzaga, entre outras que se encontram em uma praça de Itabaiana. Tem costume de esculpir e entalhar ouvindo música, como rock e forró pé de serra. 

Onde cria?

O município de Areia Branca fica a 20km de Ribeira, onde nasceu, e onde hoje construiu uma casa de farinha, esse espaço de feitio que tanto marcou a sua infância e adolescência. Areia Branca fica aos pés da Serra de Itabaiana, e recebeu este nome pela cor do solo.