Delmiro Gouveia/AL

Nos tempos de Delmiro Gouveia, empresário da indústria têxtil que hoje dá nome ao município, a região chegou a ser um importante pólo industrial e comercial na área de fios e linhas de algodão. Mas dizem no Xingó que houve um momento em que muitos teares foram queimados no município. Fizeram uma grande fogueira na praça da cidade e os teares incendiados. As histórias fazem referência a um período em que as tecedeiras atribuíam aos seus teares a razão de sua pobreza e da falta de melhores e novas oportunidades de trabalho. Por meio deles perpetuavam-se esquemas arraigados de intermediação e comercialização da tecelagem tradicional lá produzida.

Tema: Tecelegem - 2001-2002 | 2005-2006 (2 Intervenções)

Cidade: Delmiro Gouveia/AL

Duração: 2 anos

Artesãos Beneficiados: 13

Gênero: mulheres

Nos tempos de Delmiro Gouveia, empresário da indústria têxtil que hoje dá nome ao município, a região chegou a ser um importante pólo industrial e comercial na área de fios e linhas de algodão.

Mas dizem no Xingó que houve um momento em que muitos teares foram queimados no município. Fizeram uma grande fogueira na praça da cidade e os teares incendiados. As histórias fazem referência a um período em que as tecedeiras atribuíam aos seus teares a razão de sua pobreza e da falta de melhores e novas oportunidades de trabalho. Por meio deles perpetuavam-se esquemas arraigados de intermediação e comercialização da tecelagem tradicional lá produzida.

A vocação da tecelagem manual quase foi extinta. Foi preciso que o tempo passasse e as lembranças se dissipassem. Precisou surgir uma nova geração com muita vontade e determinação para revitalizar a tradição do tecer.

Foi neste cenário que o Artesanato Solidário encontrou um grupo formado predominantemente por jovens mulheres de Salgado – pequeno povoado de Delmiro Gouveia – retomando a tradição da tecelagem manual que, de alguma forma, tinham aprendido com suas mães e avós

O desenvolvimento das primeiras atividades e a perspectiva de valorização daquela tradição trouxeram ao grupo algumas mestras mais idosas e experientes no ofício. Cerca de 12 artesãs trabalham juntas na Tecelagem Descanso do Rei e estão trocando e compartilhando seus saberes, potencialidades e possibilidades.

No povoado de Salgado, tecer é um processo coletivo, ainda que as funções sejam segmentadas. Em um galpão cedido pela Associação Rural estão instalados seus teares de pedal de diferentes tamanhos (o que permite a confecção de uma diversificada linha de produtos) e cada artesã realiza uma etapa do processo de produção. Algumas dominam as técnicas de redes e mantas, outras fazem varandas, outras produzem passadeiras e jogos americanos entre outros produtos.

O processo de tecer funciona como uma linha de produção, exigindo do grupo grande organização, definição das etapas de trabalho, a contagem do tempo consumido, até a divisão de tarefas e responsabilidades individuais. Como qualquer trabalho em grupo, as relações de convivência são essenciais ao bom desempenho do grupo e da produção.

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