Instituto de Arte Indígena Brasileira Xepí

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As mãos que criam, criam o quê?

A arte Mehinako é parte constituinte de sua cultura material e imaterial, retrata e atualiza costumes e  tradições. A preservação e revitalização dessa cultura, de seus objetos e técnicas tradicionais, vem sendo uma das mais eficazes formas de resistência dos povos indígenas, como uma ação de autodeterminação. A produção material reforça aspectos imateriais da cultura, como gestos, modos de fazer, memórias, mitos, cantos e danças rituais. 

Atualmente na aldeia Kaupüna, os homens e mulheres integrantes do Instituto Xepi têm suas produções divididas em dois campos principais: os homens esculpem os bancos em formatos de animais e as mulheres trabalham a fibra de buriti e linhas de algodão, trançando objetos como cestos, esteiras e redes de dormir. 

Os artistas utilizam as madeiras chamadas piranheira, sucupira e moreira, que ficam na mata alta. Eles esculpem a madeira manualmente criando uma peça única. As mulheres confeccionam as peças de folhas de buriti que são extraídas diretamente do buritizal.

Todos os recursos naturais usados pelos artistas existem em regiões específicas, por exemplo, algumas madeiras pertencem à mata alta e outras madeiras que ficam no campo e campo cerrado, já os talos de buriti ficam na região de brechão e buritizal.

Os homens trabalham com as ferramentas manuais: facão, lima, machado, lima, enxó e grossa. Com essa geração atual eles usam a motosserra na produção de bancos e remos para agilizar o processo de acabamento de produção. Assim como os materiais elétricos, politriz, esmerilhadeira, lixadeira de madeira e furadeira que facilitam acabamentos de peças. Mesmo assim continuam sendo feitos manualmente.

As mulheres criam finos fios de buriti enrolando as fibras na coxa, que são utilizados na confecção de peças como redes de dormir. O talo do buriti também é trabalhado, trançado com linhas de algodão coloridas, formando ricos e expressivos padrões em cestos e esteiras. 

O tempo de processo de finalização do produto de arte depende do artista, qualidade da peça e tamanho. Para concluir a produção dos bancos é necessário passar óleo de pequi, para posteriormente pintar os grafismos com uma tinta natural misturada com pó de carvão provinda de árvore engar, urucum e açafrão. Tanto para as pinturas quanto para os trançados, são muito aplicados os grafismos tradicionais de peixes, cobras, aves, animais e insetos. 

 

DESCRIÇÃO DE (XEPI) BANCO PARA SENTAR

Os assentos indígenas ampliam o conceito de função para a dimensão simbólica. Com forte carga histórica entre os povos que os criam, assumem, conforme o contexto, o uso ritual e cotidiano. Funcionam como demarcador social - há bancos de uso exclusivo masculino, feminino ou de caciques ou pessoas importantes – e possuem uma dimensão cosmológica, sendo alguns deles usados por pajés para transcender ao mundo espiritual. Nas sociedades não-indígenas inserem-se como objetos de arte, design e artefato, abrindo novos horizontes de reflexão sobre as complexas inter-relações entre as artes tradicionais e a cultura contemporânea.

Estes bancos são parte de uma produção contemporânea que revela o diálogo entre elementos da tradição e liberdade da criação autoral. Esculpidos sempre a partir de um único tronco de madeira, sem juntas ou emendas, assumem a forma de animais da fauna brasileira e de entidades míticas; decorados com grafismos tradicionais, pinturas que se referem a animais, num universo de expressões visuais que muitas vezes se revela através dos sonhos e transes, apresentam a diversidade e o repertório comum da arte do complexo cultural.

Quem cria?

O Instituto Xepi foi fundado em 2019 com intuito de servir como instrumento legal e jurídico na venda dos produtos de artes Mehinako da comunidade da aldeia Kaupüna e promover projetos educativos relacionados aos conhecimentos tradicionais.

Com sua organização, facilitou-se a participação em exposições que ocorrem a nível nacional e internacional, bem como a apresentação dos seus projetos de interesse comunitário e institucional, permitindo participar dos editais destinados aos interesses sociais e institucionais, bem como receber doações financeiras e materiais. 

Algumas das principais ações do Instituto vêm sendo o fortalecimento da produção e comercialização das peças, ações formativas para a comunidade, política de segurança alimentar e nutricional e construção da Unidade Básica de Saúde.

Além disso, através da boa gestão, foi possível adquirir ferramentas e maquinários que aprimoram o trabalho cotidiano e a produção artística. 

Onde criam

A aldeia Kaupüna está localizada ao sul do Território Indígena do Xingu, a cerca de 32 km do município de Gaúcha do Norte, Mato Grosso. Foi fundada em 2014 com apenas duas famílias e, ao longo dos 8 anos, a aldeia foi recebendo mais famílias até alcançar o número atual de 76 pessoas (13 famílias).  

O plantio de roça de mandioca brava é a principal atividade desenvolvida na comunidade, sendo a mais importante de toda a alimentação existente na aldeia. Com o beiju, come-se o peixe assado, cozido, pirão, carne de caça, além do mingau. 

A  renda de aldeia está muito vinculada à produção artesanal, como a produção masculina de bancos com formatos de animais, confecção de cestas, máscaras de madeiras, palha e tecido, raladores, remos para remar canoa, bordunas, arco e flecha, pá de beiju, produção feminina de redes de dormir, cestos, cata vento, colares, pulseiras, esteiras, cuias. Esses produtos são vendidos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Cuiabá, Salvador, Recife, Belém, Brasília, Goiânia, Belo Horizonte e outras capitais para as lojas, galerias, museus e aos que fazem os pedidos. Os produtos de arte são vendidos para o exterior, em países como França, Itália, Portugal, Suíça, Alemanha, Estados Unidos, Japão, Índia, entre outros.  


 

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