Rede Mulheres de Fibra

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As mãos que criam, criam o quê?

O território da Amazônia Mato Grossense onde vivem as artesãs que integram a Rede Mulheres de Fibra oferece uma grande variedade de fibras vegetais e sementes, obtidas com práticas de manejo sustentável e trabalhadas com técnicas de trançado, tear, decoupagem, entre outras. 

Buriti, tucum, taboa, milho e bananeira são as principais fontes de matéria prima para confecção de bandeja, descanso de panela, jogo americano, flores, almofadas e muitos outros. Dessas, a fibra mais utilizada é a da bananeira, planta muito versátil e abundante nos quintais das artesãs. 

Da bananeira, o pseudocaule é recolhido na plantação, desfolhado e partido em pedaços de onde serão extraídas as cinco camadas de fibra, cada qual utilizada em produtos específicos. As fibras com diferentes texturas são chamadas de filé, contra filé, barriga, renda, costa; todas podem ser trabalhadas separadamente ou em conjunto em trançados ou no tear, o que confere texturas únicas às peças. 

Para as artesãs, que são também agricultoras, identificar e conhecer espécies que podem além de alimentar, servir também para a produção do artesanato, aprofundou ainda mais a relação que elas têm com as riquezas da terra. 

Quem cria?

A Rede Mulheres de Fibra - Portal da Amazônia existe desde 2011 e é composta de artesãs de Apiacás, Alta Floresta e Nova Canaã do Norte. Foi a partir do projeto Sementes do Portal, coordenado pelo Instituto Ouro Verde, que elas passaram a explorar o potencial das fibras naturais encontradas na região seguindo modelos de manejo sustentável. A harmonia entre preservação ambiental e geração de renda através da utilização de elementos da natureza caracteriza a identidade deste grupo, marcada ainda por laços de solidariedade e respeito ao próximo. 

Em 2014 foram contempladas no Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPPECOS) do Fundo Amazônia, através do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) o que auxiliou no fortalecimento do grupo e desenvolvimento do primeiro catálogo. Em 2017 realizaram um intercâmbio com as artesãs do grupo Banarte, de Miracatu - SP, onde aprimoraram as técnicas do beneficiamento da fibra de bananeira. 

A Rede se fortalece a cada dia que produz suas peças e as coloca em contato com outras pessoas, reforçando a importância do trabalho coletivo para a permanência de mulheres e homens no campo e acima de tudo o respeito aos recursos naturais.

Onde criam

Os municípios Apiacás, Alta Floresta e Nova Canaã do Norte localizam-se no extremo norte do Mato Grosso, em pleno arco de desmatamento da Floresta Amazônica. Com o avanço do agronegócio aliado ao garimpo, extração ilegal de madeira e à pecuária, a preservação da floresta é um grande desafio. Por conta disso, muitas ONGs passaram a atuar na região, conciliando o desenvolvimento com a preservação ou recuperação ambiental. 

Nesse cenário, o Instituto Ouro Verde (IOV) iniciou as atividades em 2004, promovendo capacitações voltadas a profissionais, técnicos e lideranças ligadas à agricultura familiar. Além disso, observando a baixa inserção das mulheres em atividades geradoras de renda, o IOV também investiu em um programa de profissionalização e assessoria para o grupo de artesãs que integram a Rede Mulheres de Fibra.

O reconhecimento do ecossistema e as riquezas que a floresta - em pé - têm a oferecer,  foram ponto de partida para o desenvolvimento do projeto que desde 2011 estimula a geração de trabalho e renda das artesãs que são também agricultoras. Assim, aliam o trabalho no campo com a produção de peças que são comercializadas em todo país.