Rede Mulheres de Fibra

Localização Instituto Ouro Verde, Rua Ipê Lilás, 101, Residencial dos Ipês - Alta Floresta/MT - CEP 78580-000
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Contato Ana Carolina França Bogo

As mãos que criam, criam o quê?

O território da Amazônia Mato Grossense onde vivem as artesãs que integram a Rede Mulheres de Fibra oferece uma grande variedade de fibras vegetais e sementes, obtidas com práticas de manejo sustentável e trabalhadas com técnicas de trançado, tear, montagem, entre outras. 

Buriti, tucum, taboa, milho e bananeira são as principais fontes de matéria prima para confecção de bolsas, carteiras, almofadas, jogos americanos, bandejas e flores. Dessas, a fibra mais utilizada é a da bananeira, planta muito versátil e abundante nos quintais das artesãs. 

Da bananeira, o pseudocaule é recolhido na plantação, desfolhado e partido em pedaços de onde serão extraídas as cinco camadas de fibra, cada qual utilizada em produtos específicos. As fibras com diferentes texturas são chamadas de filé, buchinha, branquinha, rendinha e casquinha; todas podem ser trabalhadas separadamente ou em conjunto em trançados ou no tear, o que confere texturas únicas às peças. 

Para as artesãs, que são também agricultoras, identificar e conhecer espécies que podem além de alimentar, servir também para a produção do artesanato, aprofundou ainda mais a relação que elas têm com as riquezas da terra. 

Quem cria?

A Rede Mulheres de Fibra - Portal da Amazônia existe desde 2011 e é composta de artesãs de Apiacás, Nova Floresta e Nova Canaã do Norte. Foi a partir do projeto Sementes do Portal, coordenado pelo Instituto Ouro Verde, que elas passaram a explorar o potencial das fibras naturais encontradas na região seguindo modelos de manejo sustentável. A harmonia entre preservação ambiental e geração de renda através da utilização de elementos da natureza caracteriza a identidade deste grupo, marcada ainda por laços de solidariedade e respeito ao próximo. 

Em 2014 foram contempladas no Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPPECOS) do Fundo Amazônia, através do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) o que auxiliou no fortalecimento do grupo e desenvolvimento do primeiro catálogo. Em 2017 realizaram um intercâmbio com as artesãs do grupo Banarte, de Miracatu - SP, onde aprimoraram as técnicas do beneficiamento da fibra de bananeira. 

A Rede se fortalece a cada dia que produz suas peças e as coloca em contato com outras pessoas, reforçando a importância do trabalho coletivo para a permanência de mulheres e homens no campo e acima de tudo o respeito aos recursos naturais.

Onde criam

Os municípios Apiacás, Nova Floresta e Nova Canaã do Norte localizam-se no extremo norte do Mato Grosso, em pleno arco de desmatamento da Floresta Amazônica. Com o avanço do agronegócio aliado ao garimpo, extração ilegal de madeira e à pecuária, a preservação da floresta é um grande desafio. Por conta disso, muitas ONGs passaram a atuar na região, conciliando o desenvolvimento com a preservação ou recuperação ambiental. 

Nesse cenário, o Instituto Ouro Verde (IOV) iniciou as atividades em 2004, promovendo capacitações voltadas a profissionais, técnicos e lideranças ligadas à agricultura familiar. Além disso, observando a baixa inserção das mulheres em atividades geradoras de renda, o IOV também investiu em um programa de profissionalização e assessoria para o grupo de artesãs que integram a Rede Mulheres de Fibra.

O reconhecimento do ecossistema e as riquezas que a floresta - em pé - têm a oferecer,  foram ponto de partida para o desenvolvimento do projeto que desde 2011 estimula a geração de trabalho e renda das artesãs que são também agricultoras. Assim, aliam o trabalho no campo com a produção de peças que são comercializadas em todo país.