Bernarda Vieira dos Santos

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As mãos que criam, criam o que?

Os azulejos portugueses que revestem e ornamentam as fachadas dos casarões do centro histórico de São Luís do Maranhão inspiram as pinturas de Bernarda. Vasos, telhas e outros objetos cerâmicos são decorados por meio da corda seca, uma demorada técnica de pintura cerâmica.

Os desenhos dos azulejos, e outras referências culturais maranhenses, são transferidos para a cerâmica com grafite. Por ser gorduroso, o grafite funciona como uma barreira, impedindo que as tintas de cores diferentes, solúveis em água, se misturem. Quando essa técnica foi criada no século XVII, eram utilizados capim gorduroso ou fios embebidos em óleo de linhaça no lugar do grafite para conservar o traçado dos desenhos.

Depois da pintura cuidadosa com pincel, as peças são queimadas a 980º C para a vitrificação da tinta. O resultado é uma pintura de relevo discreto, com as cores perfeitamente encaixadas umas nas outras.

Em suas peças, Bernarda dá nova vida ao patrimônio cultural de São Luís. Os desenhos precisos, o aspecto vitrificado e fendas estreitas característicos da técnica dão a sensação de que pequenos azulejos foram feitos sob medida para revestir os objetos.

Quem cria?

Bernarda começou a pintar cerâmica com a técnica corda seca com 18 anos, quando era garçonete, por estímulo de um amigo. Aprendeu indo à um ateliê, onde observava uma moça pintar. A prática veio um pouco mais tarde, quando começou a trabalhar em uma oficina de cerâmicas vitrificadas.

Em 2008, comprou um forno e montou seu próprio negócio. Como a técnica é demorada e trabalha praticamente sozinha, produz poucas peças por mês. Atualmente, conta com um ajudante para agilizar o desenho e tem planos de ensinar mais uma pessoa para a etapa da pintura.

Onde cria?

São Luís é capital do estado do Maranhão, com privilegiado acesso ao Oceano Atlântico. É a única cidade brasileira que foi fundada por franceses e ocupada por holandeses e portugueses.

Parte da sua história é conservada em mais de 3.500 edifícios do centro histórico, muitos deles com fachadas revestidas por azulejos portugueses. Por possuir o maior acervo azulejar urbano dos séculos XVIII e XIX da América Latina, São Luís é conhecida como a “Capital dos azulejos”. Em 1997, seu centro histórico foi declarado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco.

Além do patrimônio arquitetônico, São Luís é território de rica cultura. Festas populares como o carnaval de rua, o tradicional bumba meu boi e danças como tambor de crioula e cacuriá expressam as heranças culturais de diferentes povos que formaram a cidade, como indígenas, europeus e africanos.

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